Celebrações

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Celebrações2019-01-09T16:15:52+00:00

A Roda do Ano: Sabbats e Esbats

A Roda do Ano é uma representação do ciclo anual da terra onde são celebradas as estações anuais e suas colheitas.

Sua origem está nos primórdios dos tempos, no período Neolítico, há mais de 10 mil anos, quando surgiram a agricultura e o pastoreio.

É composta por festivais solares, chamados de Sabbats, e festivais lunares. chamados de Esbats.

 

A Roda do Ano em Nossa Vida

Celebrar a Roda do Ano é buscar sentir dentro de nós o que acontece na natureza; é aprender a respeitar o fluxo natural da Roda do Ano dentro de cada um de nós.

Todos nós vivenciamos a Primavera, o Verão, o Outono e o Inverno deste Grande Ciclo pelo menos uma vez em nossas vidas: todos somos crianças em nossa infância, nossa Primavera, adolescentes em nossa Juventude, o Verão, somos ou iremos ser adultos durante maturidade, Outono e seremos anciãos durante nossa velhice, nosso Inverno.

Para os celtas, que viviam na natureza e a compreendiam o ano se iniciava em Samhain, data considerada por eles como o fim do verão, da metade clara do ano que começava em Beltane.

Os 8 Sabbats:

Samhain – Ano Novo

31 de outubro e 1º de novembro (Hemisfério Norte)
30 de abril e 1º de maio (Hemisfério Sul)

Fim e início do ano e começo do inverno para os celtas. Época em que a natureza começa a se recolher devido aos rigores climáticos. Para a Wicca é quando a Deusa, já próxima ao parto, está em seu aspecto mais sábio, de anciã, e o Deus Chifrudo, senhor da essência vida, fenece. No mesmo momento em que a vida some na natureza, o Deus morre e a Deusa está introspectiva, guardando energia para o parto

Yule Solstício de Inverno

20-23 de dezembro (Hemisfério Norte)
20-23 de junho (Hemisfério Sul)

Meio do inverno para os celtas. A noite mais longa do ano, quando os dias começam a crescer. Na tradição wiccana é o renascimento do Sol, quando o Deus, em sua forma de Criança da Promessa, renasce do ventre Deusa Mãe, que ainda se encontra inativa devido ao parto. A Deusa fica inativa e o Deus nasce exatamente quando os antigos dependiam mais da carne dos abates e da caça, única coisa viva para se comer na floresta.

Imbolc ou Candlemans – Festival das Luzes

1 e 2 de fevereiro (Hemisfério Norte)
31 de julho e 1º de agosto (Hemisfério Sul)

Para os antigos era o início da Primavera. É quando a natureza já começa a se mostrar e os animais selvagens, antes raros, voltam a aparecer. Era também tempo do nascimento dos bezerros. Para os wiccanos é um festival do fogo, do leite e da vitalidade da Terra, quando a Deusa começa a se recuperar do parto e o jovem Deus está crescendo. O leite, sagrado neste sabbat, leva o aspecto de vida que vem de dentro da Deusa, da Natureza, da mulher. O aspecto religioso do sabbat se baseia no que está acontecendo na natureza.

Ostara – Equinócio de Primavera

20-23 de março (Hemisfério Norte)
20-23 de setembro (Hemisfério Sul)

Era, no mundo antigo, o meio da Primavera. Na natureza é o renascer da vida na Terra, quando tudo começa a florescer e os animais selvagens se reproduzem. Na Wicca é quando o Deus, já viril desperta seu interesse pela Deusa, agora já renovada e aparecendo como donzela fértil.

Beltane – Festival da Fertilidade

30 de abril e 1º de maio (Hemisfério Norte)
31 de outubro e 1º de novembro (Hemisfério Sul)

Na tradição celta, assim como na natureza, é o início do verão, quando o Sol retorna, marcando o início das épocas férteis, estação do plantio, da metade mais clara e quente do ano. Na tradição wiccana é quando acontece o Grande Rito, o Casamento Sagrado, quando a Deusa e o Deus se unem doando a Terra a energia de sua relação.

Litha – Solstício de Verão

20 – 23 de junho (Hemisfério Norte)
20 – 23 de dezembro (Hemisfério Sul)

Era o meio do Verão celta. Na natureza é quando o Sol mostra todo seu poder, fim do reinado do Deus Carvalho e inicio do Deus Azevinho, que reinará até o Yule, fazendo com que o solo se torne fértil. Para a Wicca é quando tanto a Deusa, agora em seu aspecto Mãe, como o Deus Chifrudo estão com maior poder, e a relação dos dois mostra seus frutos na natureza.

Lammas ou Lughnassadh – Festival da Colheita

31 de julho e 1º de agosto (Hemisfério Norte)
1 e 2 de fevereiro (Hemisfério Sul)

Inicio do Outono para os antigos. Na natureza é quando as plantas começam a secar. Para os wiccanos, nesta época o Deus, Senhor da Colheita, já está perdendo sua força, se sacrificando para que a colheita seja farta, pois dentro da Deusa já está a semente da Criança da Promessa.

Mabon – Equinócio de Outono

20 – 23 de Setembro  (Hemisfério Norte)
20 – 23 de Março (Hemisfério Sul)

Meio do Outono para os antigos. Na natureza é a época da última colheita do ano, o fim da fertilidade da Terra neste ciclo, quando a essência das árvores está em sua raiz, para que elas sobrevivam aos rigores do inverno que virá. Na religião wiccana é quando a Deusa desce ao submundo, se recolhendo no ventre da Terra para guardar forças para o parto, enquanto o Deus chifrudo se prepara para morrer, para ceder seu trono ao Deus que está no ventre da Deusa.

Seguir a Roda do Ano pelo Hemisfério Norte ou pelo Sul?

As pessoas que adotam as datas do Hemisfério Norte, normalmente alegam que, tendo sido a Europa o berço da Bruxaria, com um maior número de praticantes e o tradicionalismo das datas, estariam ligando-se a um egrégora* mais bem fundamentado e poderoso.

A troca de hemisférios demanda automaticamente a troca de estações, inverno pelo verão, etc.

Se praticamos ritos (Sabbats e Esbats) para nos alinharmos ao ritmo natural (natureza, estação) das forças vitais, como fazê-lo não estando exatamente na estação ligada ao festival?

Porém esta é minha opinião, a escolha é pessoal.

* Egrégora – A origem do termo egrégora é a mesma de “gregário”, do latim gragariu: que faz parte da grei, ou seja, rebanho, congregação, sociedade, conjunto de pessoas. No plano da espiritualidade, usa-se o nome egrégora para designar um grupo vibracional, um campo de energia sutil em que congregamos forças, pensamentos ou vibrações.

 

A Roda do Ano pelo Hemisfério Sul

Roda do Ano - Hemisfério Sul | Segredos & Magias

Motivos para comemorar pelo Hemisfério Sul:

  • Seguimos as estações do ano, o estado da natureza.
  • Aproveitamos as energias telúricas em nossos rituais, pois a bruxaria propõe uma religação com a natureza.

Vantagens de comemorar pelo Sul:

  • A celebração dos equinócios e solstícios não gera conflitos com o que está havendo na natureza.
  • Formamos egrégora própria do Hemisfério Sul, totalmente desvinculada das comemorações cristãs.

Desvantagens de comemorar pelo Sul:

  • Enfrentamos a força da egrégora ancestral, de 80.000 anos, especialmente nas datas dos grandes Sabbats (Samhain, Beltane, Imbolc e Lammas).
  • Mesmo a comemoração pelas datas do Hemisfério Sul não retrata a realidade da natureza no Brasil. Além disso, no inverno não há a morte total da natureza e o sol não desaparece, como na Europa, onde se originou a mitologia da Roda.

 

A Roda do Ano pelo Hemisfério Norte

Roda do Ano - Hemisfério Norte | Segredos & Magias

Motivos para comemorar pelo hemisfério norte:

  • Celebramos a egrégora ancestral.
  • A Roda do Ano, como comprova sua correspondência astrológica, não se refere a um ou outro hemisfério, mas é universal.
  • Comemoramos o que o povo brasileiro está fazendo na mesma época (se come ovo de Ostara em março, se faz árvore de Yule em dezembro) e não há desconexão com a realidade que nos cerca.

Vantagens de comemorar pelo Norte:

  • Seguimos o que os pagãos estão fazendo na maior parte do mundo, há união de energias em uma só direção.
  • Somos apoiados pela força de uma egrégora ancestral de cerca de 80.000 anos.
  • Seguimos a realidade social brasileira (as festividades – Páscoa, Natal, etc., não são exclusivamente cristãs, são do povo brasileiro como um todo).
  • Muitas vezes se encontra coincidência com a agricultura do Brasil (por exemplo, a grande colheita de milho se faz na época de Litha – festas juninas, coerente com a Roda originária).

Desvantagens de comemorar pelo norte:

  • Celebrar solstícios e equinócios em datas invertidas – verão no inverno e vice versa, primavera no outono e vice-versa.

 A Roda do Ano Mista

Roda do Ano - Mista | Segredos & Magias

Motivos para comemorar Sabbats menores pelo Sul e maiores pelo Norte:

  • Respeitamos tanto a egrégora ancestral, quanto a conexão com a natureza do Brasil

Vantagens:

  • Não enfrentamos a energia da egrégora milenar, como fazendo a roda pelo Sul, nem se comemoram as estações invertidas.

Desvantagens:

  • A celebração da Roda passa a ser salteada (por exemplo, Imbolc é em fevereiro, mas em março se comemora Mabon), o que faz com que não haja continuidade da história da Deusa e do Deus, a Roda deixa de ter um caráter circular, contínuo.